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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Por um fio

- Pois é Paola, o mundo anda mesmo muito complicado. - sorriu. Distante, não vi. Não vi o mundo, o riso, o brilho. Não vi a lua no brilho da verdade de tuas palavras sinceras. Nem da tua esperança ou delicadeza ou gentileza ou ou ou. Ousei parar antes que fosse invadida por algum deslumbre. É incrível como as vezes cegamos as oportunidades mais próximas e maravilhosas. Basta um pouco mais de cuidado para enxergar as poucas partes coloridas dessa atual persistência monocromática. Tenho a impressão de que o ser humano está cada vez mais tórrido. Mais duro. Mais vazio. Menos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Banho de vida

Catando os pedaços. Apaixonadamente abandonados no caminho pra cá. De volta, catando os pedaços. Redescubro as minhas pessoas. Deixo-nas desnudas. Despidas de meus achados, apenas como são. É de caráter intenso essa alegria borbulhando em mim. Faço de um instante, tempo. Tempo de ser feliz. Apaixono-me pelo ser humano na mesma proporção em que me horrorizo. A paixão mantenho perto. O horror, distante. Inerte, as pupilas dilatam. Abrem espaço para maiores visões. Em choque. Bombeio mais sangue. E a vida que  as pupilas absorvem, sinto pulsar em mim. É de caráter verdadeiro a paixão. As criaturas. A redescoberta. A vida brota como água na fonte. Sábia abundante límpida.

Para ler ouvindo: 



Sim (co)

Lhe prometi mais. Mais um. Mais um amontoado de palavras. Derramadas sob o corpo que já conheço mas, não é meu. Lhe prometi e, aqui estão, suas palavras. Metade minhas. Para você. E essa boca que já conheço mas, não é minha. Esse jeito que já conheço mas, não é meu. Esse eu que é seu e apenas seu. Reconheci e reascendi. A tua humanidade me fascina. Lasciva e viva como poucas. Digna. Benevolente. Teu gosto é de gente. Da melhor expectativa possível. Gente que fere se entrega ama sente; arrisca.

Para ler ouvindo:


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Até o fim do pacotinho

Provou temerosa. A boca pouco abriu. Saboreou como quem sabe que ainda há muito mais. Quis mais.

Mas não pede

Quando aperto forte os lábios. Fundo. Profundo. Claro e teu. Sinto o gosto em minha boca. O cheiro a impressão e o fato já se foram. A água leva e lava. O tempo também. A gente muda de ideia na mesma frequência. A mesma frequência na qual nos movimentamos. Subtraiu-se a espera expectativa lálálá. Só ficou o futuro; em branco. E o que ainda nem aconteceu.


Para ler ouvindo:

Pode até engasgar, pagaria pra ver.

Sonho. E o avesso do sonho é o mesmo sonho que estava em mim. Desejo. E o avesso do desejo sonho. Essas possibilidades não estão no futuro. Estão nos sonhos.

Parte I
Lentamente. Dispo teu corpo. Lentamente. Meu corpo. Os ritmos variam. Falo e recrio. De algumas coisas quase arrependo. Toca a tua boca a minha pele. Toca a minha pele a tua boca. Dois desejos se tocam. Durmo. Acordo. Teu cheiro em mim. Um pensamento variante. Evito pensar. E quanto mais evito mais penso.


Parte II
Entre o seu silêncio gigante e a "espera" há apenas o toque. Tuas palavras parecem residir nos dedos. Então tento ler-te. Mas me perco em tentar.

Parte III
Me prometo e descumpro. Desisto e tento. Tentação. Intensidade. Vida. Construo mil e uma colocações. Destruo. Opto por continuar vivendo. Entre o teu silêncio e o meu querer o que realmente importa é acontecer.


Para ler ouvindo:






segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

(a carne o sangue os podres temores, tremem. O coração treme. Despertou fixo mas, diferente. Aquele pensamento impregnado. Cego constante, como noite sem lua. Densa e escura. Romântica. Misteriosa. Ousou mudar, como a muito não fazia. Arrepiou-se g r a d a t i v a m e n t e da cabeça aos pés. Sucumbiu de tanto imaginar projeções para além do invisível. Realizar desejos antigos...)

 Parada, admiro tua retina. Com os olhos fixos no escuro da madrugada, te sinto. Suavemente, com a ponta dos dedos, tateio fio por fio dos teus cabelos. Surpreendo-me em tamanho querer. Corre acelerado o relógio do tempo. Limita as horas. Ilimitam os beijos. Sigo, alimentada por um impulso inerente. Teu prazer; meu desejo. A vontade de perpetuar insiste. Incide.





Que a cada manhã, ao acordar, eu desperte um pouco mais para o que verdadeiramente me interessa - A. Jácomo