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terça-feira, 3 de abril de 2012

A melhor resposta

Volto a provar o teu gosto. Teu tempo curto. Meu desejo demorado. Trabalho. Estudo. Fim. Começo. Cansaço. Exaustos.
Você corre. Partido parte e sem rumo não chega à lugar algum. Eu sou. Você utiliza. Metodicamente se espreita. Nem no passado e nem no futuro. Nosso tempo é.




There's a wild wind blowing
Down the corner of my street
(...)
Time only can lead you on
Still it's such a beautiful night ♪♪




Num compartimento secreto, guardado em segredo, germinei você.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Banho de vida

Catando os pedaços. Apaixonadamente abandonados no caminho pra cá. De volta, catando os pedaços. Redescubro as minhas pessoas. Deixo-nas desnudas. Despidas de meus achados, apenas como são. É de caráter intenso essa alegria borbulhando em mim. Faço de um instante, tempo. Tempo de ser feliz. Apaixono-me pelo ser humano na mesma proporção em que me horrorizo. A paixão mantenho perto. O horror, distante. Inerte, as pupilas dilatam. Abrem espaço para maiores visões. Em choque. Bombeio mais sangue. E a vida que  as pupilas absorvem, sinto pulsar em mim. É de caráter verdadeiro a paixão. As criaturas. A redescoberta. A vida brota como água na fonte. Sábia abundante límpida.

Para ler ouvindo: 



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Histórias terríveis

Sai! Vai peste! Corre solta! Corre que eu quero ver o balanço dos teus cabelos e dos teus quadris sumindo longe que nem névoa no horizonte. Corre pra lá que logo eu corro daqui. Corre levantando a poeira por entre as pernas. Confundindo minha direção. Só não vale reaver. Não vale dizer que eu não fiz minha parte. Não vale. Meu equilíbrio é intenso e inconstante. Duas medidas para o mesmo peso. Dois pesos para a mesma medida. Foram-se embora os rodeios. Foi-se o touro. Foi-se o carneiro. O Cowboy ficou só. ( Tadinho )


Para ler ouvindo:


' A vela é de cera
E a cera pega fogo

E o fogo lá da vela
é o eterno coringa do jogo ' ♪♪

sábado, 4 de junho de 2011

Quando uma mulher tem alguém como eu tenho você.

Como quem constrói pontes, você refazia nossos sonhos, costurando-os cada vez mais forte. Um homem quente. De café quente. Bom café quente. Cafuné que eu te faço antes de dormir. Quando uma mulher tem alguém como eu tenho você, constrói dramas difíceis de se explicar. É que a gente tem mania de duvidar do que é bom. Mas logo depois acredita pra sempre. É que a gente tem todas essas entrelinhas complicadas de se decifrar. Entrelinhas que se calam ao som do coração. É que homem igual a você eu nunca vi. Nunca vi alguém tão pra outrém como eu pra você e você pra mim. E as nossas confusões se apagam quando nossos braços se encontram. Na medida certa nos enlouquecemos. E nos possuímos espatifados de desejo. Ansiosos como alunos por notas, viciados por drogas, injustiçados por justiça, frio por calor. E tudo acaba sereno, como o amanhecer de uma tempestade em alto mar. Nunca vi homem como você em lugar algum que chega até mim. Você chega até mim. Nossas palavras se acolhem mesmo quando parecem lançadas para ferir. Chego a nos sentir como veneno e antídoto. Morrendo e nascendo a todo tempo. Contínuos pelo maior e único motivo que nos faz ter começo meio e fim e novamente começo, comum aos romances que duram pra sempre, pra sempre que não se atém apenas ao físico compreensível, o amor. Contínuos pelo amor. Me permito a acreditar em outras vidas, em eterno, infinito. O nosso amor que agora continua em nossa pequena flor, Helena. Quando uma mulher tem alguém como eu tenho você, ela é feliz.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O dia da saudade

Acordei com formigas na boca. Entre elas e o meu estômago há uma distância afiada que me dilacera. Tudo está grotescamente cinza. Os meus olhos não dissernem nenhum sinal de vida em cor. Parece um dia inexistente. Um sonho. Um pesadelo. Sinto, nas minhas pernas, um cortar que só machuca por me tornar imóvel. Mas corro. Corro desesperadamente tentando cuspir cada formiga. Todas estão impregnadas na minha boca. Gosto de morte. Gosto amargo. Distância. Era inevitável. Eu sabia que esse dia chegaria. O terror não vem do fim. O terror está nessa guinada. Faço a curva sem saber se ela acabará.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sob, Sobre, Soube.

A paixão vem sempre a frente. Vanguarda. Precipitada. Cega. Intensa. Incontrolada. Apaixonar-se é tão suave e arrebatador como um acidente de trânsito. Mas para apaixonar-se não é preciso veículos. A existência de andar a pé, é suficiente. Todas as peças estão dentro de você. Motores de amar. Não. Apaixonar-se nada tem a ver com amor. Apaixonar-se é o inicio e o fim. O amor não tem maneiras. Motores de amar funcionam para sempre. Paixão não tem motor. Paixão tem engrenagem. Uma peça leva à outra. O fim e o início se repetindo incessantemente. Quem vai provar pra mim que não é assim ? Acredite ! Isso tudo sem entrar em detalhes. Detalhes da ordem de que ordem tem ! O fato é que na desordem que isso tudo junto dá, amo intenso em um ato contínuo sem mover um dedo sequer. Porque o amor nada mais poderia ser que a harmonia perene. O meu amor perene e sem fim, mora calmo. Motor de amar. Modo de amar. Amor.

On the road

Pequenos traços emparelhados. Não constroem linhas, mas sinalizam. Pequenos traços emparelhados chegam em qualquer lugar, mas me levam à você. De onde sento agora, vejo o horizonte extenso, denso em seu calor. Passam milhares de mentes que não passam por mim. Aqui dentro meu corpo respira normalmente. Homens na pista colorem de laranja a paisagem verde e marrom, e muito mais marrom que verde. Pacientemente as rodas giram perdendo as contas das voltas. Gostaria que as horas perdessem a conta e depressa nas voltas passassem o mais rápido possível. Te ver é uma ânsia maior do que te ter.
As vezes a vida pega fogo. As vezes a gente vê o fogo. Noutras, só a fumaça. As vezes parece que vai parar. Em outras, realmente para. A vida é como estar na estrada. Pode ser uma longa viagem, uma curta viagem. Com sinalizações, ótimas ou quase ausentes. Algumas ou várias paradas. Sozinho ou solitário. Com escolhas ou com destino. Alguns cumprimentos no silêncio. Se me sinto dona da minha estrada? Sinto. Fiz-na de idas e vindas. Voltas e voltas. Mas agora o que importa no que sinto é que quero te levar comigo nessa minha-nossa estrada.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Furto.

Bem, por onde eu posso começar ? Quando eu cheguei aqui, meu corpo demorou pra se acostumar com o calor. Meu coração estava em pedaços. Eu estava em pedaços. Estava tentando encontrar alguma parte de mim que fosse realmente eu. Olhava a minha volta desmanchando em lágrimas todas as cores refletidas pelo sol quente. Foi preciso apenas duas semanas pra me recompor. Rapidamente juntei todos os pedaços e reconheci, feliz, minha solidão. Eu não estava cem por cento, mas eram uns setenta e cinco que valiam muito mais. Era engraçado. Passei de dor de cotovelo à musa Teen. Os jovens se impressionam facilmente. A gente pode ser sempre melhor do que imagina. Finalmente eu estava andando com as próprias pernas. O sol aquecia para além dos corpos. Lembro que numa certa noite, esperava o vinho. Meus amigos calmos, lentos, cheios de umas questões normais. Parecia que esperava a notícia que logo em seguida receberia. Estávamos juntos. Estávamos coexistindo o mesmo lugar. Desta vez não havia mais sol, nem corpos, nem calma. Sai correndo como se minha mãe me mandasse de volta pra casa. Dois dias depois, era o meu coração que estava aquecido. Aquecemos a cama o chão a mesa a rede. Reaquecemos o frio que morava em nós. Agora meus olhos olhavam super saturando tudo que o sol iluminava. Fiquei nessa por todos os outros dias que vieram. Mas as vezes a gente esqueçe que tudo tem sempre uma boa lição. Novamente eu estava em pedaços. Dois socos na cara e um no estômago. Um soco no bolso do meu pai. Um soco no meu trampo. E alguns boletins de ocorrência. Queixas do mundo moderno. Dessa vez, meu coração estava partido pelas queixas do mundo moderno. Cacete de calor! O calor expurga as coisas. As faz desnudas. Escancaradas. Acho que passei no teste. Vida desgraçada. Parecia pouco, mas já era o suficiente.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Da minha vida.

Norma pensou que para trair primeiro precisava conhecer a fundo o traído. Acima de tudo pelas desculpas. Desculpas podem se tornar mentiras, que logo em seguida, rapidamente, serão descobertas. E descobrir mentiras não é, nem de longe, uma surpresa agradável. Se perguntou se a sua vizinha conhecia bem o marido. Sabia que a cada quinze dias outro carro parava naquela porta. E concluiu que naquele intenso relacionamento havia, no mínimo, um pouco de conhecimento mútuo, sim. E de traição. O segundo passo do conhecer é a confiança. Ela sabia que algo de espontâneo e incontrolável deveria partir do traído. Ria, quando pensava nessa palavra. Traído. Parecia dolorosa. Vítima. Pequeno isso de pensar na santidade das pessoas para nos maltratar um pouco. Tratou de continuar o raciocínio. Sabia que confiança era uma questão particular, até mesmo com tanto conhecimento, mas também sabia que podia alimentar. Então pensou em todos os 'te amo' verdadeiros que facilmente lhe ajudariam. Norma entendia a possibilidade do amor e da paixão simultâneos. Não era uma briga interna. Nem um momento confuso. Se considerava um pouco estranha. Mas considerava mais estranho ainda os limites que nunca seriam ultrapassados. Aquela tarde pronta lhe servia como sede de combate. Planejar era um cuidado advindo do amor. Amava a um. Amava a outro. Amava a si. Amava tanto a tudo que precisava ser cautelosa. Se alguma coisa desse errado ela sabia que nem o amor a um, nem o amor ao outro, nem o amor a si seriam suficientes para mantê-la em pé. Quem sabe Norma nem continuasse com aquilo. Mas ela precisava planejar.

Tinha que precisar ?

Sentei para escrever umas meias palavras. Umas "meias realidades". Alguma coisa com conjugação estranha. Ligação interrompida. Palavras contínuas. Algo sobre a noite poética de prestígio aos amigos. Sobre todo esse dom que marca tão intensamente cada sentido fazendo o mínimo parecer absurdo e insuportávelmente um tédio. Noite de desconstrução. Cair no que não pode ser perdido. Desconstruído isso. Cair novamente. Releituras. Releituras da gente. Mais velho, mais homem, mais mente, mais sexo. Menos nós. Insegurança. O ser-homem se faz inseguro a todo momento. Se fosse mágoa era mais fácil. Mas quem poderá provar ? Apenas você de mim e eu de você.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A chamando pra luta aflita

Eu te olhava. Me perguntando a todo instante se tudo aquilo era real. Me disse que eu havia crescido. Como se o tempo tivesse mesmo existido entre nós. Ontem eu estava muda. Apenas te olhava tentando marcar em mim todos os pedaços seus. Sentia o cheiro das flores e te olhava. Ficava te fitando numa mistura de te ouvir, imaginar, ver.  Todos os meus sentidos estimulados sem qualquer toque. A tua existência era o único toque que eu precisava naquele instante. Senti vontade de chorar. Saiu pela porta, em meio a lua cheia. Senti vontade de não abrir a porta nunca mais. Uma vontade partida de quem não perdeu. De quem apenas não se agrada com o que tem. Antes de partir, me disse de você. Sorri como boa amante que me exijo ser. Te disse sim em todas as respostas. Mexi o corpo provocando encantamento. Até mesmo aquele adeus deveria ser intenso. Ainda que nas memórias, eu sabia que, algum lugar haveria de ser para nós. Então, me dediquei.

Laço frouxo

As vezes a gente flutua. Em alguns instantes daquela noite, cheiro forte das flores no quintal. Teu corpo não pesava mais que o nosso encontro. Meu corpo não pesava mais que uma ilusão. Havia um pedaço de melancolia naquela pequena possibilidade entre nós. Havia a certeza de que queríamos e a certeza de que não deveríamos mais. Eu estava paralisado. Meu corpo ao seu em movimento. Mas eu continuava paralisado. Era verão, a noite quente. Mas as flores no quintal insistiam em exalar seu cheiro forte como se trouxessem a primavera em nós. O quintal. Liga ações. Recebidas em intensos momentos de amor. Parávamos por corridos segundos. O relógio parecia disparar nesses intervalos. Algumas palavras de amor. Tentávamos contornar com algumas palavras de amor. As mesmas palavras, não podiam mais impressionar, mas impressionavam por continuar a existir. Existíamos, duvidosos do que ainda seríamos mas sedentos por aproveitar o que éramos. Naqueles instantes de encontro. Não podíamos ter mais nada. Nem uma noite a mais, nem uma impressão a mais, nem uma palavra de amor a mais. Naqueles instantes de econtro éramos apenas nós.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ma

Esteve e tão logo se foi. Tão logo o sol tocou o chão, a caneta o papel, tuas idéias na tua mão. Tão logo as horas passaram, foi embora. Embora não tivesse estado realmente aqui. Um pedaço de interesse. Uma película por interesse. Um bom interesse. Um interesse bom.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Acorda !!!

Sua mente não parava de funcionar. Olhos vidrados na tela já haviam vidrado copos e corpos alheios. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Se deu conta da criatura mesquinha e mimada. Lembrou daquela frase daquele filme que assistiu a tanto tempo atrás. Olhava para a frente e se espremia na tentativa de aprender alguma coisa instantâneamente. Tinha que ser pra já.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O fim.

Queria dizer-lhe que estava bonita. Mas o tempo lhe fizera um estrago que não merecia palavras. Amava-na como se não fosse a ela. Ela era antes. Amava a garota que havia conhecido anos atrás. Mas aquela que estava em sua frente, podia ser todas, menos ela. Seu buxo cheio. Duas crianças. Uma distância medida em atitude, nunca em tempo.

- Foi a garota dos meus sonhos. - Pensou. - Onde ela foi parar?

Aliviado, inventou uma desculpa estranha ante a vontade de sair correndo. De alguma forma agradeceu às impossibilidades do destino. Toda cura para todo mal.