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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

É carnaval, acorda pra ver !

E a mocinha da esquina se esqueceu de acreditar na verdade. Na mesmice da mentira, nunca pôde ser surpreendida pela novidade. Uma mocinha. Uma dona. Tão bonitinha. Com um olho via a própria vida, com o outro só o que queria ver. Gostava de viver em pleno carnaval. 

Show de máscaras. 

Foto: Chris Arruda


Como fumaça, impregnada. Novos recortes não apagam histórias. Não adianta rasgar, berrar, lavar. Não sai.

domingo, 22 de janeiro de 2012

El viento

As estrelas estavam. Areia e vento, no mesmo lugar. Sua presença estava. Impregnada numa lembrança amena, morna, sem graça; que se esqueceu de se esquecer. Que se esqueceu de desaparecer do céu da minha boca.

domingo, 20 de novembro de 2011

Rascunhando

Tire a sua roupa devagar. Tire a pele. O lugar que habito não me cabe. Num fio de cabelo talvez. Longos fios de cabelo espalhados pela cama. Amanhece. Anoitece. Não precisa acreditar pra acontecer. Tudo paralelamente intacto. Contos inalterados. A deturpação ditada pela professorinha cafona do fundamental. Porra de amor. Porra de morte. Tanta porra espalhada pela cama. Tic tac tic tac tic tac. Os ponteiros do relógio e o porteiro do outro prédio estão incomodados. Dados. Os fatos. O fato de não estar nem aí.

sábado, 19 de novembro de 2011

Scenic world

Bateu a porta jurando por toda revolta nunca mais voltar. Copo de leite no chão. Farelos infantilmente amarelados. Poeira. Sujeira. Restos de um furacão que entrou pela porta da frente e estourou todos os tímpanos do bairro.
- E que bairro idiota era aquele ?  - Tanto barro manchou a calça. Jurou nunca mais voltar àquele lugar. Voltou semana passada. A terra estava seca. Solo pobre.
-  Acabaram os minerais e as vitaminas.
 Solo pobre.

E tanto cansaço enfim.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E o corpo inteiro feito um furacão

Pelas que me seguem. Nuas em sua crueldade. Maquiavélicas em suas realidades. Tristes em sua existência. Pois há de ser triste a existência disfarçadamente baseada no outro. Na perseguição ao outro. Na destruição do outro. No outro. Outro. Outro. Outra projeção dos seus medos, dúvidas, capacidade. Pelas que me seguem, inabalavelmente, dedico meus reais sentimentos de solidariedade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Por toda a minha vida

- Como vai você?

A tarde estava ensolarada. Ensolaradamente coberta pelas nuvens de quase chuva. Aquela pergunta cabia, como cabia a resposta àquele lindo dia. O relógio marcava as horas dando uma sensação de fim . O descanso mais esperado. O fim do trabalho estressante. Das tarefas do dia. Das expectativas. Dos esforços. Cansaços. O fim. Naquela pergunta que não consumira cinco segundos de atenção, uma poesia velada em resposta nascia. Olhos por olhos e um pequeno sim discorria uma felicidade que demoraria anos pra ser desvendada e estragaria cruelmente a beleza daquele instante.

Tinha certeza, consumindo vorazmente cada letra, de que estava feliz. E certeza e felicidade combinavam harmonicamente. Nada como goiabada e queijo. Certeza e felicidade não combinavam em suas diferenças. Uma brotava da outra em "sucessivo-contínuo" existir. Apesar de todas as desventuras. Nunca quis tanto ouvir aquela pergunta, só pelo prazer de estar feliz.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Eu posso sorrir para você

Alguém mais acha que as coisas mais recentes que tenho escrito estão uma bosta?  Parece que tudo ficou tão íntimo e restrito, que a minha capacidade criativa se restringiu à experiência própria, além do incomodativo fato de achar que têm sempre alguém, maniacamente, me seguindo. Gosto de platéia, fãs, admiradores, secretos ou assumidos. Quem não gosta? Talvez a obssessão seja apenas minha em acreditar que alguém possa ser obssessivo assim. Ok, nem os índices demonstram isso. Mas de fato, minha teimosia instintiva têm pedido arrego e tempo. Nesse turbilhão de novidades, o tempo de sobra não existe. Não sobra nem pra quem quer, nem pra mim. Talvez eu tente praticar uma dessas coisas alternativas que acompanha algumas fitas e se pode ouvir enquanto dorme. Talvez eu não tente nada. O bife tá pronto. O beck também tá. Corre moleque, que amanhã é carnaval !

sábado, 29 de janeiro de 2011

O quereres

Essa delicadeza tão sutil consome. Consumo para além do capital. Delicadeza das coisas findas. Segundo plano. Onde queres o que quer sou inteiro oposto, o não. Mentiras doces me consomem. Que acabe logo o espetáculo. Cansei de vestir essa personagem tão singela.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

On the road

Pequenos traços emparelhados. Não constroem linhas, mas sinalizam. Pequenos traços emparelhados chegam em qualquer lugar, mas me levam à você. De onde sento agora, vejo o horizonte extenso, denso em seu calor. Passam milhares de mentes que não passam por mim. Aqui dentro meu corpo respira normalmente. Homens na pista colorem de laranja a paisagem verde e marrom, e muito mais marrom que verde. Pacientemente as rodas giram perdendo as contas das voltas. Gostaria que as horas perdessem a conta e depressa nas voltas passassem o mais rápido possível. Te ver é uma ânsia maior do que te ter.
As vezes a vida pega fogo. As vezes a gente vê o fogo. Noutras, só a fumaça. As vezes parece que vai parar. Em outras, realmente para. A vida é como estar na estrada. Pode ser uma longa viagem, uma curta viagem. Com sinalizações, ótimas ou quase ausentes. Algumas ou várias paradas. Sozinho ou solitário. Com escolhas ou com destino. Alguns cumprimentos no silêncio. Se me sinto dona da minha estrada? Sinto. Fiz-na de idas e vindas. Voltas e voltas. Mas agora o que importa no que sinto é que quero te levar comigo nessa minha-nossa estrada.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Da minha vida.

Norma pensou que para trair primeiro precisava conhecer a fundo o traído. Acima de tudo pelas desculpas. Desculpas podem se tornar mentiras, que logo em seguida, rapidamente, serão descobertas. E descobrir mentiras não é, nem de longe, uma surpresa agradável. Se perguntou se a sua vizinha conhecia bem o marido. Sabia que a cada quinze dias outro carro parava naquela porta. E concluiu que naquele intenso relacionamento havia, no mínimo, um pouco de conhecimento mútuo, sim. E de traição. O segundo passo do conhecer é a confiança. Ela sabia que algo de espontâneo e incontrolável deveria partir do traído. Ria, quando pensava nessa palavra. Traído. Parecia dolorosa. Vítima. Pequeno isso de pensar na santidade das pessoas para nos maltratar um pouco. Tratou de continuar o raciocínio. Sabia que confiança era uma questão particular, até mesmo com tanto conhecimento, mas também sabia que podia alimentar. Então pensou em todos os 'te amo' verdadeiros que facilmente lhe ajudariam. Norma entendia a possibilidade do amor e da paixão simultâneos. Não era uma briga interna. Nem um momento confuso. Se considerava um pouco estranha. Mas considerava mais estranho ainda os limites que nunca seriam ultrapassados. Aquela tarde pronta lhe servia como sede de combate. Planejar era um cuidado advindo do amor. Amava a um. Amava a outro. Amava a si. Amava tanto a tudo que precisava ser cautelosa. Se alguma coisa desse errado ela sabia que nem o amor a um, nem o amor ao outro, nem o amor a si seriam suficientes para mantê-la em pé. Quem sabe Norma nem continuasse com aquilo. Mas ela precisava planejar.

Tinha que precisar ?

Sentei para escrever umas meias palavras. Umas "meias realidades". Alguma coisa com conjugação estranha. Ligação interrompida. Palavras contínuas. Algo sobre a noite poética de prestígio aos amigos. Sobre todo esse dom que marca tão intensamente cada sentido fazendo o mínimo parecer absurdo e insuportávelmente um tédio. Noite de desconstrução. Cair no que não pode ser perdido. Desconstruído isso. Cair novamente. Releituras. Releituras da gente. Mais velho, mais homem, mais mente, mais sexo. Menos nós. Insegurança. O ser-homem se faz inseguro a todo momento. Se fosse mágoa era mais fácil. Mas quem poderá provar ? Apenas você de mim e eu de você.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Laço frouxo

As vezes a gente flutua. Em alguns instantes daquela noite, cheiro forte das flores no quintal. Teu corpo não pesava mais que o nosso encontro. Meu corpo não pesava mais que uma ilusão. Havia um pedaço de melancolia naquela pequena possibilidade entre nós. Havia a certeza de que queríamos e a certeza de que não deveríamos mais. Eu estava paralisado. Meu corpo ao seu em movimento. Mas eu continuava paralisado. Era verão, a noite quente. Mas as flores no quintal insistiam em exalar seu cheiro forte como se trouxessem a primavera em nós. O quintal. Liga ações. Recebidas em intensos momentos de amor. Parávamos por corridos segundos. O relógio parecia disparar nesses intervalos. Algumas palavras de amor. Tentávamos contornar com algumas palavras de amor. As mesmas palavras, não podiam mais impressionar, mas impressionavam por continuar a existir. Existíamos, duvidosos do que ainda seríamos mas sedentos por aproveitar o que éramos. Naqueles instantes de encontro. Não podíamos ter mais nada. Nem uma noite a mais, nem uma impressão a mais, nem uma palavra de amor a mais. Naqueles instantes de econtro éramos apenas nós.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

De todas as maneiras que há de amar

A noite não permaneceu intacta. Nós não permanecemos imóveis. De um lado à outro da casa, numa busca incessante de nós mesmos antes que aquela noite virasse dia e o dia, por sua vez, nos tirasse dali. Passos tímidos. Um instante de cada vez. Todas as vezes num instante só. Éramos, quem sabe, fomos, a noite inteira, um sucesso antes adiado. Um novo sucesso, tão instantâneo quanto um segredo. Éramos a verdade de nós mesmos. Em movimentos conhecidamente ritmados. Paralisados, apenas, pelo hábito. Pela falta do hábito de existir. Éramos o que éramos muito mais do que naqueles instantes. Muito mais que naqueles intervalos. Enquanto a minha respiração tocava a sua pele e a sua pele tocava o meu corpo. Éramos a beira do abismo.

Brega

Comi rápido para engolir o choro. Tática antiga para disfarçar alguns momentos. Choraria pelo que é e não acontece. Pelo que aconteceu e não permanece. Pelo que sempre será e não voltará a ser, jamais. Pagar um preço caro por ter tentado. Por não tentar mais. Eu não te esquecerei. Eu não poderia, ainda que quisesse. Jamais.
Se for o caso de Maria perguntar. Não vejo nada Maria. Não estou vivo. Vivos, só os pensamentos. Eu mesmo, eu, não estou nem aqui. Nem que quisesse, como já lhe havia dito. Um contínuo caminhar sem caminho. Bifurca. Distingue. Separa. Parte aqui. Mas talvez nem seja o caso do fim. Aquele fim trágico, acabado, doído. Um caso, talvez, de silêncio condicionado. Condicionou-se o nosso tempo. Existe em todas as partes, menos aqui.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O fim.

Queria dizer-lhe que estava bonita. Mas o tempo lhe fizera um estrago que não merecia palavras. Amava-na como se não fosse a ela. Ela era antes. Amava a garota que havia conhecido anos atrás. Mas aquela que estava em sua frente, podia ser todas, menos ela. Seu buxo cheio. Duas crianças. Uma distância medida em atitude, nunca em tempo.

- Foi a garota dos meus sonhos. - Pensou. - Onde ela foi parar?

Aliviado, inventou uma desculpa estranha ante a vontade de sair correndo. De alguma forma agradeceu às impossibilidades do destino. Toda cura para todo mal.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Diálogo de um parágrafo só

- Um pouco sozinho. Sabe, são quase três da manhã e todo mundo é um pouco sozinho. Não há como. Você entende o que estou te dizendo? É! É isso! Hahaha. Ainda bem que você entende. Não, não concordo que seja esse desespero todo. Não é pra tanto, nem que eu seja esse lance de meio termo. Também acho que dá um certo desgosto falar sobre isso. Mas sabe como é né? Somos só eu e você, esse grande resto de whisky e ainda assim conseguimos nos sentir tão sozinhos como se estivéssemos a kilômetros de distância de qualquer ponto mínimo que pudesse nos servir como referência de companhia. Espere meu amigo, espere ... não fique angustiado assim. De uma mínima e completa forma, eu estou aqui. Estamos todos loucos no mundo. Todos sós loucos e loucos. Eu não tenho medo de ser assim. Você também deveria não temer. Aí estaríamos juntos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sinal

Já não temos motivos para decirdirmos juntos. Nem um mero fio de papel higiênico entre nos. Nem silêncio. Nem resposta. Nem motivo nenhum para decidirmos. Você pode me deixar esperando se quiser. Posso sair se você demorar de chegar. Nós podemos tudo mais do que nunca e eu nem sei o que fazer com tanto poder.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Antes só?

Novamente ela prendia o choro. Começos e fins. Viu-se perdida com tantos projetos. Hesitou em segurar. Segurou. É preciso muito pulso para não perder a linha. Agora haviam os fatos. Só precisava limpar a casa. Sozinha ou não.

domingo, 24 de outubro de 2010

Se ela pedisse

Queria ter morrido na volta da viagem. Aliás, queria ter morrido na ida mesmo. Morreria feliz com o trágico fim de quem foi embora antes da hora. E seria lembrado pra sempre como algo incompleto. Como todas as possibilidades que não tentou.Queria ter corrido pros braços dela. Queria tanto e se manteve tão parado.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

I do this everyday

Não sabia se era mentira ou verdade. Sabia que podia construir o que quisesse. A ilusão é uma faca afiada. Abre o peito. Corta. Dói. Eu estou com fome. Posso sentir minhas vísceras grunindo como um cachorro na rua. Se volto a pensar na ilusão, construo uma montanha comestível. Tic-tac. Continuo com fome. Fora disso, havia a realidade. A dúvida e mais dúvida, ao invés do simples desejo. Ouvi dizer que quando você não sabe onde ir, não está perdido. Qualquer ponto é uma parada. Qualquer palavra é um sim. Qualquer coisa oposta à outra ruim é o que existe. Eu odeio a faca da ilusão.