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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Desatino

A chuva a música os fatos. O acontecido, suave, como um arranhão superficial. Suave como o peso de uma enxurrada, suave. Eu você e nós, não vamos à lugar algum. Assopro, e o que voa se desfaz.



"(...) Afinal, há é que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte.(...)

José Saramago

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Chapter 9

Num instante, imersa em sua liquidez. Logo depois, deitada sob suas rosas. Horas e horas cruzando nossos espaços. Caminhos longos. Passos curtos. Sorrisos largos. A tua companhia noturna me inspira. Enquanto respiro procurando você no ar, não há dúvida que contenha o fluxo. Tudo flui para o sim. Até o fim flui. Tudo flui nos braços sonhados, no abraços, nos lábios quistos, nos desejos à serem conquistados.


 ♪ Stepped on to the sun
It's all that we can do
And there
Burn it brightly ♪

terça-feira, 3 de abril de 2012

A melhor resposta

Volto a provar o teu gosto. Teu tempo curto. Meu desejo demorado. Trabalho. Estudo. Fim. Começo. Cansaço. Exaustos.
Você corre. Partido parte e sem rumo não chega à lugar algum. Eu sou. Você utiliza. Metodicamente se espreita. Nem no passado e nem no futuro. Nosso tempo é.




There's a wild wind blowing
Down the corner of my street
(...)
Time only can lead you on
Still it's such a beautiful night ♪♪




Num compartimento secreto, guardado em segredo, germinei você.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Histórias terríveis

Sai! Vai peste! Corre solta! Corre que eu quero ver o balanço dos teus cabelos e dos teus quadris sumindo longe que nem névoa no horizonte. Corre pra lá que logo eu corro daqui. Corre levantando a poeira por entre as pernas. Confundindo minha direção. Só não vale reaver. Não vale dizer que eu não fiz minha parte. Não vale. Meu equilíbrio é intenso e inconstante. Duas medidas para o mesmo peso. Dois pesos para a mesma medida. Foram-se embora os rodeios. Foi-se o touro. Foi-se o carneiro. O Cowboy ficou só. ( Tadinho )


Para ler ouvindo:


' A vela é de cera
E a cera pega fogo

E o fogo lá da vela
é o eterno coringa do jogo ' ♪♪

sábado, 7 de janeiro de 2012

No meu corpo só, no teu corpo meu

' Nas minhas curvas e esquinas
Vivem desejos que fogem das mãos
Fazendo o coração corar de vez em vez


Você não vai se perder
Eu vou lhe achar. '

3 na massa; Seu lugar

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Até o fim do pacotinho

Provou temerosa. A boca pouco abriu. Saboreou como quem sabe que ainda há muito mais. Quis mais.

Mas não pede

Quando aperto forte os lábios. Fundo. Profundo. Claro e teu. Sinto o gosto em minha boca. O cheiro a impressão e o fato já se foram. A água leva e lava. O tempo também. A gente muda de ideia na mesma frequência. A mesma frequência na qual nos movimentamos. Subtraiu-se a espera expectativa lálálá. Só ficou o futuro; em branco. E o que ainda nem aconteceu.


Para ler ouvindo:

sábado, 4 de junho de 2011

A.H.quele A.H.mor de sempre

Escorrega pela minha língua, que faz um movimento tenso e venenoso, seduzindo o que são só palavras mas buscam você. Se fosse apenas sexo. Mas é amor. Tocado diversas vezes. Em diversos estilos. De diversas partidas. Por diversos meios. Por diversos anos. Para um único fim. O próprio amor.


(com todo amor, ao meu companheiro, Antonio Humberto)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sob, Sobre, Soube.

A paixão vem sempre a frente. Vanguarda. Precipitada. Cega. Intensa. Incontrolada. Apaixonar-se é tão suave e arrebatador como um acidente de trânsito. Mas para apaixonar-se não é preciso veículos. A existência de andar a pé, é suficiente. Todas as peças estão dentro de você. Motores de amar. Não. Apaixonar-se nada tem a ver com amor. Apaixonar-se é o inicio e o fim. O amor não tem maneiras. Motores de amar funcionam para sempre. Paixão não tem motor. Paixão tem engrenagem. Uma peça leva à outra. O fim e o início se repetindo incessantemente. Quem vai provar pra mim que não é assim ? Acredite ! Isso tudo sem entrar em detalhes. Detalhes da ordem de que ordem tem ! O fato é que na desordem que isso tudo junto dá, amo intenso em um ato contínuo sem mover um dedo sequer. Porque o amor nada mais poderia ser que a harmonia perene. O meu amor perene e sem fim, mora calmo. Motor de amar. Modo de amar. Amor.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Da minha vida.

Norma pensou que para trair primeiro precisava conhecer a fundo o traído. Acima de tudo pelas desculpas. Desculpas podem se tornar mentiras, que logo em seguida, rapidamente, serão descobertas. E descobrir mentiras não é, nem de longe, uma surpresa agradável. Se perguntou se a sua vizinha conhecia bem o marido. Sabia que a cada quinze dias outro carro parava naquela porta. E concluiu que naquele intenso relacionamento havia, no mínimo, um pouco de conhecimento mútuo, sim. E de traição. O segundo passo do conhecer é a confiança. Ela sabia que algo de espontâneo e incontrolável deveria partir do traído. Ria, quando pensava nessa palavra. Traído. Parecia dolorosa. Vítima. Pequeno isso de pensar na santidade das pessoas para nos maltratar um pouco. Tratou de continuar o raciocínio. Sabia que confiança era uma questão particular, até mesmo com tanto conhecimento, mas também sabia que podia alimentar. Então pensou em todos os 'te amo' verdadeiros que facilmente lhe ajudariam. Norma entendia a possibilidade do amor e da paixão simultâneos. Não era uma briga interna. Nem um momento confuso. Se considerava um pouco estranha. Mas considerava mais estranho ainda os limites que nunca seriam ultrapassados. Aquela tarde pronta lhe servia como sede de combate. Planejar era um cuidado advindo do amor. Amava a um. Amava a outro. Amava a si. Amava tanto a tudo que precisava ser cautelosa. Se alguma coisa desse errado ela sabia que nem o amor a um, nem o amor ao outro, nem o amor a si seriam suficientes para mantê-la em pé. Quem sabe Norma nem continuasse com aquilo. Mas ela precisava planejar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Alguém para gozar

Nublado. O dia estava nublado em algumas partes do país. Em seu país de baixo, um dia molhado. Podia passar o dia inteiro no vai e vem entra e sai e tantos outro termos que só sua inspiração naquele instante poderia suportar. Pensou em alguns telefonemas. Todos trabalhando. Ninguém a seu favor. Sentiu inveja do capitalismo. Como alguém com tanto tesão poderia permanecer só ? Era tão normal loucuras de amor que lhe pareceu absurdo não existirem loucuras por sexo. Sentiu o próprio corpo naquela manhã. Continuou na questão. Quem sabe um bom e demorado banho gelado. Tesão é algo estranho. É quase solidão. Precisa do outro, de outro, e mais. Pensou em ler, caminhar, dormir. Mas nada do que fizesse tirava sua indignação. Tesão pode deixar as pessoas indignadas. Será que mais alguém também estava explodindo em hormônios ? Talvez espalhe seu número na rede. Um chat, quem sabe ? Mas havia outra coisa, uma espécie de exigência com o tesão. Além do agora, precisava ser com ela. Sua lista se resumira, então, a uma pessoa só. Os cômodos continuavam vazios de outra presença. Contentou-se em se acariciar-se. Naquelas condicões, rendeu-se a seu próprio prazer. Quando se trata de solidão, somos mesmo a melhor saída.